Continuando minha fase amor, aí vai:
“Era uma menina estranha, alta e que chamava muita atenção. Eu só a via porque ela andava com um monte de pivetes que pareciam legais no cursinho, mas eram tão ingênuos ainda. Eu tinha 19, velha e vivida, sabia que estava ali pra estudar e não fazer amigos. Ela tinha 16, mas pela altura parecia ter bem mais, ela era gigante! (ainda é, haha)
Agora lembro, que já a conhecia antes. Foi numa outra época, num show qualquer, em que ela era a namorada do vocalista de uma banda X. Faz tanto tempo, acho que foi um sonho em comum, um sonho no qual éramos as namoradas perfeitas, com vidinhas medíocres que se resumiam a cursinho e namorar no fim de semana. Ok.
Passamos. No mesmo curso de artes que tanto queríamos. Nada nos abalava, éramos as melhores amigas em menos tempo de convivência que eu já vi. Começa a faculdade, as coisas mudam. É um mundo novo, cheio de novidades, coisas pra se aprender, errar e prosseguir. Começam as brigas, as tristezas, as reclamações para os namorados sobre a falta de consideração para com a outra.. Damos um tempo, fim de ano, conversa séria, eu nunca quis te machucar, mas você sabe, eu não enxergo bem as coisas e não sei ter uma melhor amiga, não, eu vou mudar, juro.
Mudamos. Pra melhor, eu sinto. Terminam os namoros perfeitos, choramos muito, consolamos muito, sonhamos com reencontros, que acontecem, mas não são nada legais. A vida prossegue, começamos a entrar na fase mais hardcore de todas, aquela em esquecemos nossa moral, nossa família, nossa dignidade em busca de prazeres efêmeros. Ressacas infinitas e muitos $$ a menos no limite do banco do brasil. Freiamos. Aconteceu de termos uma dessincronia novamente, sempre regada a birras, bicos, e depois de conversas explicativas, percebemos que queríamos coisas diferentes, decidimos não pressionar mais nada, e a garota alta e russa já tinha entrado completamente em minha vida.
Agora ela está aqui, dentro da minha cabeça e de lá não sai. Minha irmã Duda diz: gostei muito da sua amiga Maçã. Quem não gosta, afinal?
Eu sei que a convivência contigo não é nada fácil mocinha. Você é incrivelmente dada, faz amigos como quem pisca e sorri ao mesmo tempo, mas entender você, te decifrar, tentar te dobrar algumas vezes, tentar te parar e bater de frente com suas idéias não tem sido fácil. Mas eu aguento, eu sei. Você é estranha. Temperamental. Sensível. Explosiva. Impulsiva. Bêbada. Russa. Doida. Grande. Tem mãos gordinhas que fazem os desenhos mais lindos do mundo. Você é a Maçã mais doce e difícil de digerir que eu já experimentei. Continue assim, mas tente ser mais equilibrada. Em pouco tempo, eu pude notar o quanto você cresceu e mudou, logo logo será uma mulher adulta, cheia das convicções e certezas sobre a vida, o universo e tudo o mais. Até lá, prossigamos nessa viagem de descobertas, risos, choros, conversas, sussuros, brigas, ajudas, comidinhas, saídas, programas de índio, faculdade e afins, juntas.”
Para Anastasia P. ou a minha Maçãzinhã.
‘Я обожаю мою маленькую’